Há tempos que eu não te escrevia
Precisaria, num verbo incorreto
Da lacuna, da ausência, da Saudade
Da vontade de ver outras gentes
Na necessidade de estar apenas eu
No silêncio e distanciamento
Mas tenho pensado em você
E é certo que
E sabes que o tenho
Com a mesma intensidade
Sem a variação que o tempo quer exigir
Precisava de uma vírgula,
Algumas reticências...
Para outro ângulo depois da esquina
E a descoberta de algo que eu via
Mas não enxergava com todas as cores
Precisava estar com alguns
Para um encontro pessoal comigo
Lembranças, afagos e azulejos pintados
Vinis, livros e vidro embaçado
Gosto doce e meio amargo
Mas estavas sempre em mim
Então,
Entenda o meu motivo
E conheça-me novamente.
Há tempos que te escrevo secreto
Num verbo composto e passivo
Na lacuna, ainda ausência e saudade.
Da não vontade de outras gentes
Da necessidade de ter-te
Presente

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